A missão das Irmãs Franciscanas de Allegany na região amazônica ganha novos contornos a cada ano, impulsionada pelo compromisso com os povos tradicionais e com a preservação dos recursos naturais. Entre as iniciativas desenvolvidas, destaca-se o Projeto Mãe Terra, criado em 2011, cuja atuação envolve diretamente ribeirinhos, indígenas e demais comunidades que vivem e dependem da floresta.
Responsável por acompanhar de perto as ações do projeto, Irmã Maria Helena dos Santos explica que o foco principal é a defesa dos territórios e da vida em sua forma mais integral. “Nós trabalhamos a questão do território e dos povos nativos que lutam por uma vida saudável, com uma preservação que cuida de todas as vidas ali presentes”, destaca.
Em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), o projeto tem reunido dados e análises sobre os maiores desafios relacionados à água na região. Esse trabalho conjunto tem permitido atuar tanto nos igarapés quanto nas bacias, ao identificar impactos, vulnerabilidades e propor estratégias de cuidado e recuperação ambiental.
Participação na Pré-COP
A partir do Projeto Mãe Terra, as irmãs também participaram da Pré-COP, um evento preparatório crucial que antecedeu a Conferência das Partes (COP) da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Belém do Pará. Irmã Maria Helena conta que oficinas, rodas de conversa e encontros com os chamados “guardiões do Bem Viver” marcaram a atuação das Franciscanas no evento.
“Sentimos que fomos enviadas. Olhar todos os biomas, especialmente cerrado e floresta, foi um encontro com aquilo que sonhamos: gente do mundo inteiro pensando a terra, a água e a sobrevivência dos povos”, relata. Para ela, cada gesto de cuidado faz diferença: “Se a gente planta uma árvore, estamos plantando vida, estamos plantando água.”
Irmã Yolanda, Irmã Cleusa e Irmã Mariana também estiveram presentes na iniciativa, somando forças com lideranças locais em defesa dos territórios. “A Pré-COP foi importante para a região do Lago Grande, uma área belíssima onde convivemos com ribeirinhos, indígenas e comunidades da floresta. É um espaço propício para trabalhar a questão ambiental”, afirma Irmã Maria Helena.
A religiosa destaca que o avanço da ocupação humana tem agravado problemas ambientais, como o desmatamento nas nascentes, o assoreamento dos igarapés e a erosão causada pela abertura de estradas. “A areia entra nos igarapés de forma muito específica. Com o desmatamento, o manancial de água tem sido agredido”, alerta. O Projeto Mãe Terra, segundo ela, atua justamente para minimizar esses impactos, promovendo práticas de cuidado e preservação.
Vocação missionária
Filha de família rural, Irmã Maria Helena carrega desde cedo o amor pela terra, pela água e pela floresta. Já atuou como missionária na Bahia, Tocantins, Goiás e agora no Pará, sempre movida pelo desejo de estar nos lugares mais desafiadores. “Isso me dá vigor, me dá energia, me dá alegria de servir, mesmo com os desafios”, afirma.
De volta ao Pará, na região do Lago Grande, após a Assembleia Regional, que aconteceu em Anápolis no mês de novembro, Irmã Maria Helene assegura que a congregação segue empenhada na continuidade e expansão do Projeto Mãe Terra. A iniciativa conta com a coordenação de um líder comunitário e ativista ambiental, que, junto com as irmãs, tem fortalecido frentes de proteção e educação ambiental.
Segundo Irmã Maria Helena, o compromisso permanece firme: “Agora é mãos à obra. Vamos continuar o projeto e trabalhar para que outros também possam nascer, sempre com zelo pela nossa Casa Comum.”
