“O trânsito não é apenas a história de Francisco, mas também a nossa”, diz frei Michael Reyes, OFM

Com o tema “Um jubileu que se cumpre: do Transitus à nova vida”, teve início, na tarde de domingo, 21, o retiro das Irmãs Franciscanas de Allegany e Associados. Até o dia 25, quinta-feira, frei Michael Reyes, OFM, que nasceu nas Filipinas e mudou-se para os Estados Unidos aos 16 anos, conduz reflexões sobre diferentes temáticas relacionadas aos 800 anos do Trânsito de São Francisco.

Logo no início do encontro, ele falou sobre a importância de compreender os ‘trânsitos’ que se sucederam ao longo da vida de São Francisco: do privilégio para a simplicidade, do medo para a compaixão, da apropriação para a gratidão, da conquista para a bênção. Convidou a todos a refletir sobre como as transições acontecem na vida de cada um e, sobretudo, sobre confiança, liberdade e entrega da vida a Deus.

O frade fez um convite às irmãs para que conversem entre si ou reflitam sozinhas, se preferirem: ‘o que carrego com gratidão’, ‘o que preciso deixar ir e o que preciso deixar nas mãos de Deus’, ‘o que Deus me convida com esperança e quais convites tenho tido e como devo recebê-los’.

Ainda durante o primeiro dia, ao falar sobre coragem, convite e ‘trânsitos’, frei Michael Reyes, OFM, citou a história da Congregação das Irmãs Franciscanas de Allegany, que, segundo ele, nasce da coragem. “Essas irmãs deixaram aquilo que era familiar e confiaram no convite de Deus. E geração após geração continuou a fazer a mesma coisa: atravessaram oceanos, cruzaram barreiras de língua, de cultura; cruzaram terras e expectativas”, destacou.

Para frei Michael Reyes, OFM, por cruzarem os limiares, muitas vidas foram transformadas. “Escolas foram construídas, hospitais foram estabelecidos, casas de retiro foram formadas, comunidades foram transformadas, associadas foram formadas e se espalharam pelo mundo, sobretudo na Flórida. O Evangelho se enraizou em lugares a que talvez nunca teria chegado de outra forma: Brasil, Jamaica, Moçambique e outros lugares”, citou.

O exemplo das Irmãs, segundo ele, está no fato de que “elas não tinham mapa da viagem”. “Quando começaram, muitas não tinham ideia da jornada ou de onde isso as levaria. Elas confiaram. Esse é um dos dons que elas deixam: não a certeza do que vai acontecer, mas a coragem, da passagem, não do controle dos resultados, mas na fé de que Deus estará presente em cada travessia”, ressaltou.

A história da Congregação, como ressaltou frei Michael Reyes, OFM, não é simplesmente uma história sobre o passado. É uma história em que Deus convida pessoas a não ter medo. “A missão, o Evangelho e as histórias continuam. O trânsito não é apenas a história de Francisco, mas também a nossa história. É a história de cada uma e de todas as pessoas que participam deste retiro”, enfatizou.

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