Irmã Mariana Barbosa de Souza relembra os primeiros passos da missão das Irmãs Franciscanas de Allegany em Bom Jesus da Lapa (BA), iniciada em 2020, e compartilha os desafios e aprendizados dessa caminhada. Na entrevista, ela fala sobre o cotidiano da comunidade, as ações pastorais, os projetos sociais e o compromisso com a Ecologia Integral, sempre em sintonia com as necessidades do povo. “Com a graça de Deus, procuramos ser uma boa semente lançada nesta terra. Nosso desejo é cultivar a espiritualidade francisclariana e caminhar de forma solidária com o povo de Deus, para que possamos colher muitos frutos de fraternidade, esperança e transformação”, destaca.
Como iniciou a missão das Irmãs Franciscanas de Allegany em Bom Jesus da Lapa?
Irmã Mariana Barbosa – No dia 20 de fevereiro de 2020, nós, Irmãs Franciscanas de Allegany, iniciamos nossa missão em Bom Jesus da Lapa, na Bahia. Eu, Irmã Maria José Monteiro e Irmã Cleusa Alves da Silva fomos acolhidas pela Paróquia Nossa Senhora das Graças, uma das três paróquias do município, que reúne 33 comunidades urbanas, periurbanas e rurais.
Quais foram os principais desafios no início da missão?
Irmã Mariana Barbosa – Pouco tempo depois da nossa chegada, enfrentamos a pandemia da Covid-19. Isso limitou bastante o início dos trabalhos pastorais. Foi um período que exigiu criatividade, adaptação e muita sensibilidade para encontrarmos formas de nos inserir na realidade local, mesmo diante do isolamento social.
Como a comunidade foi se fortaleceu ao longo dos anos?
Irmã Mariana Barbosa – Aos poucos conhecemos melhor o povo, suas necessidades e potencialidades. Em 2022, a Casa Dulce dos Pobres tornou-se uma comunidade formadora, acolheu as aspirantes Geane Araújo e Jaiane Cerqueira, que iniciaram ali sua caminhada vocacional na Congregação.
Quais mudanças aconteceram na comunidade religiosa nos últimos anos?
Irmã Mariana Barbosa -Em 2023, as aspirantes seguiram para uma nova etapa de formação e a Irmã Maria José foi transferida. Nesse período, recebemos a Irmã Maria Isabel Pereira, que assumiu especialmente os trabalhos ligados à Iniciação à Vida Cristã. Já no final de 2024, Irmã Isabel foi eleita Ministra Associada, e passamos a contar com a presença da Irmã Iolanda Maria Borges, psicóloga, que realiza atendimentos voltados principalmente às pessoas em situação de maior vulnerabilidade social.
Quais frutos concretos a missão já produziu?
Irmã Mariana Barbosa – Com o apoio da ACOR e da Mission Society, contribuímos para a construção de espaços comunitários em três comunidades que não possuíam locais adequados para celebrações, catequese e atividades pastorais. Hoje, as comunidades Nossa Senhora de Fátima, Santa Clara e Santa Isabel contam com capelas dignas e acolhedoras. O mais bonito foi ver a participação ativa dos próprios moradores em todas as etapas do processo.
Há outros projetos importantes desenvolvidos pela missão?
Irmã Mariana Barbosa – Sim. Também foi construída uma sala de atendimento terapêutico junto à Casa das Irmãs. Além disso, desde o início da missão, tenho dedicado uma atenção especial à Ecologia Integral. Com a Campanha da Fraternidade 2025, esse trabalho ganhou ainda mais força.
Como a Ecologia Integral é trabalhada na prática?
Irmã Mariana Barbosa -Desenvolvemos um projeto de arborização nos bairros Vila Nova e Vila Maia; articulamos duas escolas públicas e a catequese paroquial. É uma iniciativa que une educação, cuidado com a criação e compromisso comunitário.
Qual é a atuação das Irmãs na paróquia atualmente?
Irmã Mariana Barbosa -Hoje somos responsáveis pelos processos formativos das comunidades organizadas em setores. Realizamos encontros com jovens, catequistas, lideranças e diversos grupos. Procuramos responder às necessidades e demandas de cada realidade.
E no âmbito diocesano?
Irmã Mariana Barbosa -Contribuímos com a formação de catequistas, com a Escola Diocesana de Teologia para Leigos e Leigas e também com a Dimensão Sociotransformadora da Diocese.
Que mensagem a senhora deixa ao olhar para essa caminhada?
Irmã Mariana Barbosa – Com a graça de Deus, procuramos ser uma boa semente lançada nesta terra. Nosso desejo é cultivar a espiritualidade francisclariana e caminhar de forma solidária com o povo de Deus, para que possamos colher muitos frutos de fraternidade, esperança e transformação.







