Entrevista do dia: Missão de cuidar da pessoa humana por meio da Psicologia

Nesta edição da nossa entrevista especial, conversamos com a Irmã Iolanda Maria Borges, psicóloga que coloca seu dom e sua missão a serviço do cuidado com a pessoa humana. Há mais de duas décadas dedicando-se ao atendimento psicológico em comunidades de diferentes regiões do país, ela fala sobre os desafios, os aprendizados e a importância de acolher, escutar e promover esperança por meio da psicoterapia.

Como nasceu o trabalho de atendimento psicológico da senhora na Congregação?
Iolanda Borges – A psicoterapia tem sido uma missão muito importante, pois, desde o início, eu faço o trabalho com famílias que buscam ajuda. Desde o ano 2000, significa que são 26 anos.

É importante trabalhar com a família?
Iolanda Borges
– É, porque a maioria dos transtornos tem origem na família, seja por dificuldades de aceitação e condições de tratamento, seja pelas relações familiares conflituosas entre os seus membros, e outros fatores.

Por quais lugares a senhora já realizou esse trabalho?
Iolanda Borges
Já trabalhei em muitos lugares, em várias comunidades nossas: Goiânia, Aparecida de Goiânia, Cristalândia, enquanto estávamos morando lá, Palmas, Araguacema, Curuai e Santarém, na Amazônia, e também Anápolis e Quirinópolis. Atualmente, moro em Bom Jesus da Lapa, na Bahia.

Quais são os principais desafios diários?
Iolanda Borges
Eu digo que são as dificuldades dos pacientes assumirem o seu compromisso de trabalhar consigo mesmos, porque muitos não têm essa consciência. Porém, isso tem melhorado nos últimos tempos. Devagarinho, as pessoas vão compreendendo que é um processo em que a pessoa precisa desejar fazer as mudanças que são necessárias. Outra dificuldade, aqui no dia a dia, são as distâncias de quem mora na zona rural. Mas o que não é impedimento. 

E quais são os resultados desse trabalho?
Iolanda Borges
 Os resultados são maravilhosos. É muita libertação. Eu trabalho agora com uma nova abordagem, além das que eu já trabalhava, que eram a Psicanálise e a Terapia Cognitivo-comportamental. É uma nova abordagem criada por um brasileiro pernambucano. Uma maravilha. Isso já tem se espalhado pelo Brasil, pelas Américas e até pelo mundo, porque tem grupos na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá. É uma coisa muito bonita. Estou muito contente com esse trabalho. É a missão de cuidar da pessoa humana no mais profundo do seu ser.

Quais são as principais demandas apresentadas pelos pacientes?
Iolanda Borges
 Em geral, os pacientes apresentam, em sua maioria, dificuldade de lidar com a ansiedade e com as mudanças que aconteceram com a globalização e com as tecnologias. A maioria das famílias vive com muitas dificuldades no relacionamento familiar. É um momento difícil, né? E, graças a Deus, nós estamos podendo fazer esse trabalho aqui, gratuitamente, para todas as pessoas que não podem contribuir economicamente. Às vezes, ajudam em outras situações da comunidade.

Onde acontecem os atendimentos?
Iolanda Borges
Eles acontecem na sala de atendimento que construímos com a ajuda de um projeto da Congregação e também com a ajuda das comunidades que integram conosco os trabalhos pastorais. É muito bonito ver a participação da comunidade. Quando pedimos ajuda para a construção, eles colaboraram com o que podiam, com aquilo que conseguiam ajudar.

Como a senhora define essa missão?
Iolanda Borges
É uma missão muito sagrada, como eu disse. Porque a pessoa restaura a sua capacidade, os seus potenciais, e torna-se livre para viver uma vida saudável, conforme Deus deseja para todos nós, podendo desenvolver todos os potenciais que possui. Então, é uma missão maravilhosa, em que as pessoas saem muito felizes.

É um sentimento de realização?
Iolanda Borges
Eu sou feliz e agradeço a Deus por essa possibilidade de trabalhar. Também vou conseguindo ajuda de outros profissionais e encaminhando quando necessário. A gente faz um trabalho na parte psicológica e, em alguns momentos, também psicossocioeducativas, além de encaminhamentos para outros trabalhos que as pessoas necessitam. Vale muito a pena esse trabalho no meio da comunidade mais necessitada.

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