Ir. Rita Cecília Coelho
Somos mulheres que escolheram viver como irmãs, seguindo São Francisco e Santa Clara, unidas pelo Evangelho, sustentadas pela oração e comprometidas em construir relações de respeito, escuta, cuidado e alegria.
A história das Irmãs Franciscanas de Allegany no Brasil tem início a partir de um chamado missionário marcado pela fé, pela coragem e pelo espírito franciscano de serviço. Em 1943, o apelo feito por Frei Paulo Seibert, OFM, à então Superiora Geral, Madre Jean Marie Greeley, expressava a urgência da presença feminina na missão franciscana em terras brasileiras. Esse diálogo deu origem a uma caminhada que transformaria profundamente a educação, a saúde e a vida pastoral em diversas regiões do país.
Em 12 de janeiro de 1946, as primeiras Irmãs Franciscanas de Allegany — Irmã Marianna McKinlay e Irmã Mary Rosalima O’Neill — partiram dos Estados Unidos rumo ao Brasil, confiantes na Providência e no ideal missionário. A chegada ao Rio de Janeiro e, posteriormente, a Goiás marcou o início de uma presença fecunda, especialmente em Pires do Rio e Anápolis, onde as Irmãs se dedicaram à educação de crianças em situação de vulnerabilidade, à catequese, à pastoral paroquial e ao cuidado com os mais pobres.
Inspiradas pelo carisma de São Francisco e Santa Clara de Assis, as Irmãs assumiram com simplicidade e dedicação a fundação e administração de escolas paroquiais, a formação de professores e o fortalecimento das comunidades locais. Ao longo dos anos, novas Irmãs chegaram, ampliando a missão e consolidando conventos e obras educativas em várias cidades de Goiás, no Distrito Federal, no Tocantins e em outras regiões.
A atuação das Irmãs Franciscanas de Allegany no Brasil também se destacou de forma significativa na área da saúde. A partir do final da década de 1950, as Irmãs assumiram a administração da Santa Casa de Misericórdia de Anápolis, dando início a uma missão hospitalar marcada pela organização, profissionalismo, humanização e atenção integral à vida. Esse trabalho tornou-se referência no cuidado materno-infantil e no atendimento à população mais necessitada.
Com o passar das décadas, a missão se fortaleceu com a formação de vocações brasileiras, a criação do noviciado no país e a ampliação das frentes de atuação pastoral, educacional e social. Fiel ao Evangelho e enraizada no carisma franciscano, a Congregação construiu uma história marcada pelo compromisso com a dignidade humana, pela promoção da vida e pelo serviço humilde e fraterno.
As Irmãs Franciscanas de Allegany têm sua origem em 25 de abril de 1859, na capela da Universidade e Seminário de São Boaventura, em Allegany, Nova Iorque. Nesse dia, Frei Pânfilo de Magliano, OFM, conferiu o hábito da Ordem Terceira de São Francisco e o nome de Irmã Maria Joseph a Mary Jane Todd, marcando oficialmente o nascimento da Congregação.
Frei Pânfilo, então Custódio-Provincial dos Frades Menores da Custódia da Imaculada Conceição, havia chegado à região oeste do estado de Nova Iorque em 1856, acompanhado de outros três frades, atendendo ao convite do bispo John Timon, CM, da Diocese de Buffalo, e do leigo católico Nicholas Devereux, que doou terras e recursos financeiros para a implantação da comunidade franciscana. A missão inicial dos frades incluía a educação de jovens na Universidade de São Boaventura e o atendimento pastoral à população local.
Atendendo ao pedido do bispo Timon para que fossem buscadas irmãs da Ordem Terceira a fim de oferecer educação às jovens da região, Frei Pânfilo foi levado a formar uma nova congregação feminina em Allegany.
Após a recepção de Irmã Maria Joseph, Ellen Fallon ingressou na comunidade em 24 de junho de 1859, recebendo o nome de Irmã Mary Bridget. Ambas haviam sido Franciscanas da Ordem Terceira na Irlanda antes de chegarem à Filadélfia, Pensilvânia. Poucos meses depois, Mary Anne O’Neil, então com apenas quinze anos, natural de Nova Jersey, foi convidada por Frei Pânfilo a ser generosa com o chamado do Senhor. Ela ingressou na comunidade em 8 de dezembro de 1859, recebendo o nome de Irmã Maria Teresa.
Essas três mulheres formaram o núcleo inicial da Congregação, que logo começou a atrair outras jovens da região. Desde o início, as irmãs foram orientadas por Frei Pânfilo, que nomeou as primeiras lideranças e, em 1865, apresentou os primeiros Estatutos da Congregação, adaptados dos Estatutos das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição, de Glasgow, na Escócia. No mesmo ano, realizou-se o primeiro Capítulo, no qual Irmã Maria Teresa O’Neil foi eleita Superiora Geral, função que exerceu por 55 dos seus 66 anos de vida religiosa, oferecendo liderança firme e visão formativa à jovem comunidade.
A Congregação cresceu rapidamente, respondendo às necessidades da Igreja, sobretudo na área educacional. Em 1861, foi inaugurada a Academia de Santa Elizabeth, em Allegany, destinada à educação de moças. Com o tempo, as irmãs expandiram sua presença, fundando escolas desde o estado do Maine até a Flórida, ao longo da costa leste dos Estados Unidos, chegando também ao Texas.
Em 1879, três irmãs foram enviadas à Jamaica, então parte das Índias Ocidentais Britânicas, tornando as Irmãs Franciscanas de Allegany a primeira congregação religiosa fundada nos Estados Unidos a enviar missionárias para o exterior. Já em 1883, a Congregação ampliou seu campo de atuação além da educação, assumindo a administração do Hospital Santa Elizabeth, em Boston. Em 1890, assumiu também o Hospital Santa Elizabeth, em Nova Iorque, e posteriormente abriu outros hospitais nas regiões onde atuava. Nas décadas de 1880 e 1890, as irmãs também fundaram orfanatos e casas para jovens trabalhadores, homens e mulheres.
A expansão missionária internacional continuou ao longo do século XX. Em 1946, foram abertas fundações no estado de Goiás, na região central do Brasil, e em 1965, na Bolívia. Inicialmente, o trabalho concentrou-se na educação, mas posteriormente incluiu clínicas de saúde e o serviço pastoral em paróquias. Algumas irmãs também se dedicaram ao serviço aos pobres no sul dos Estados Unidos. Em 1947, foi criada a Sociedade Missionária de Santa Elizabeth, possibilitando a participação ativa de leigos no apoio às missões nacionais e internacionais.
A Congregação recebeu a aprovação papal de sua Constituição e o reconhecimento como Instituto Pontifício em 1913. Em 1934, uma nova Constituição, incorporando a Regra Franciscana de 1927, foi aprovada. O Capítulo Geral de 1968 marcou o início de um período intenso de renovação espiritual, em sintonia com as orientações do Concílio Vaticano II, promovendo a adaptação da Constituição e a ampliação dos ministérios, incluindo trabalho pastoral em paróquias, hospitais, direção espiritual, retiros e diversas formas de ação social junto aos pobres em áreas rurais e urbanas.
A dimensão contemplativa da Congregação foi formalizada em 1959 com a fundação da Clausura, que em 1967 se transformou no Retiro.
Os anos posteriores ao Concílio Vaticano II foram marcados por profundas transformações na vida religiosa. Programas de renovação, estudos, oficinas e retiros impactaram positivamente a Congregação. No Capítulo Geral de 1976, as irmãs enfrentaram momentos críticos, mas decidiram trabalhar juntas pela revitalização da vida comunitária. Nesse contexto, foi criado também o Programa dos Associados, permitindo a participação de leigos no carisma franciscano da Congregação.
A Regra Revisada da Ordem Terceira Franciscana, de 1982, e as declarações dos Capítulos Gerais seguintes continuaram a orientar os rumos da Congregação. Mudanças na governança, estudos de viabilidade e planejamento estratégico de longo prazo foram implementados. O Capítulo Geral de 2004 deu início à revisão das Constituições e de outros documentos institucionais.
Entre 2004 e 2008, foram elaboradas e revisadas oito versões das novas Constituições, aprovadas por unanimidade pelas capitulares. Posteriormente, os textos foram enviados a Roma e receberam aprovação final em 11 de fevereiro de 2009, pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. Nos anos seguintes, as irmãs dedicaram-se ao estudo e à interiorização desse novo documento.
Em 2009, tornou-se necessário reavaliar as propriedades da Congregação, considerando os recursos humanos e financeiros disponíveis. Decidiu-se pela venda, reforma ou reorganização de imóveis em diferentes países, incluindo Allegany e o Convento Mãe Admirável, no Brasil, sempre com o compromisso de uma gestão responsável e fiel ao espírito franciscano.
O Capítulo Geral de 2012 teve como tema “Mulheres Corajosas: Encarnando o Cristo”, orientando reflexões e decisões.
Atualmente, as Constituições das Irmãs Franciscanas de Allegany expressam princípios evangélicos e teológicos que fundamentam o espírito e o modo de vida da Congregação. Conforme afirma a Declaração de Missão de 2004, elas oferecem uma perspectiva esperançosa para o futuro:
“Nós, as Irmãs Franciscanas de Allegany, procuramos viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Testemunhamos o amor de Deus na tradição franciscana, vivendo como irmãs, em comunhão com toda a criação, e pela alegria de servir os outros, especialmente os pobres e marginalizados.”
Ir. Rita Cecília Coelho
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