Quando Leigos e Irmãs se encontram: uma vida partilhada no Carisma Franciscano

Em uma conversa repleta de memória, espiritualidade e história, a Irmã Rosimeire Noleto, responsável pela coordenação das Associadas das Irmãs Franciscanas de Allegany, explicou como nasceu e se fortaleceu esse grupo de leigos que compartilha da missão e da espiritualidade franciscana. Segundo ela, a proposta surgiu da necessidade de manter viva a essência do carisma, diante da diminuição do número de religiosas e do desejo de ampliar a vivência franciscana para além dos conventos. “Francisco começou sua missão com leigos. Ele vivia entre o povo, rezando e tentando entender o que Deus pedia dele”, recorda.

A experiência dos grupos de associadas remonta às décadas de 1970 e 1980, quando a congregação, de origem norte-americana, já buscava formas de aproximar os leigos da missão franciscana. No início, ainda de forma tímida e pouco estruturada, a proposta foi se consolidando após discussões em capítulos gerais da congregação, ganhando clareza e identidade própria — distinta, mas complementar, à Ordem Terceira Franciscana. “Ainda hoje algumas pessoas confundem, mas o grupo de associadas tem uma proposta própria, voltada à vivência do carisma das Irmãs de Allegany”, explica.

A presença das leigas e leigos, ressalta Irmã Rosimeire Noleto, acompanha toda a trajetória missionária da congregação no Brasil. Desde as primeiras irmãs vindas dos Estados Unidos, que chegaram ao Centro-Oeste para atuar em regiões marcadas pela pobreza e pela falta de acesso à saúde e educação, como Anápolis, o antigo leprosário no bairro Paraíso, e, mais tarde, o norte de Goiás, hoje Tocantins, sempre houve cristãos que caminharam junto, apoiando a missão. Em muitas dessas localidades, irmãs e leigos atuaram lado a lado na evangelização, na educação e no cuidado às comunidades mais vulneráveis.

Hoje, o grupo de associadas, como destaca Irmã Rosimeire Noletto, reúne homens e mulheres que desejam viver o Evangelho sob a espiritualidade franciscana. Alguns já tinham proximidade com paróquias franciscanas; outros chegam sem nenhum vínculo prévio, mas atraídos pelo modo de ser das irmãs. Todos passam por momentos de formação, estudo e convivência fraterna. “O importante é que eles venham com desejo sincero de viver o carisma, de rezar, servir e partilhar”, afirma a coordenadora.

O movimento, que ganhou força nos Estados Unidos e em diversas congregações franciscanas, ainda é menos comum no Brasil, mas segue crescendo. Nesse ano, duas irmãs da sede central da congregação e uma associada norte-americana vieram conhecer de perto a realidade brasileira e fortalecer os laços entre os grupos.

Para Irmã Rosimeire, mais do que estrutura organizativa, as associadas representam continuidade e presença: “É a vida religiosa que se abre ao leigo, ao cristão que deseja viver o Evangelho com simplicidade, cuidado e fraternidade. O carisma franciscano não pertence só às irmãs, ele é um dom que precisa ser partilhado.

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