E se São Francisco de Assis estivesse vivo, como ele estaria vendo tudo isso? Esse foi um dos questionamentos que o escritor e filósofo Roberto Malvezzi, conhecido como Gogó, fez durante a live que aconteceu na noite de terça-feira, dia 3 de março, por meio do Instagram da Congregação das Irmãs Franciscanas de Allegany. Ele, que tem uma expressiva participação nas pastorais sociais da Diocese de Juazeiro, na Bahia, e foi coordenador da Comissão Pastoral da Terra, foi convidado pelo Círculo de Sabedoria da ‘Sacralidade da Terra’ para falar sobre Conversão Ecológica.
A live, que foi mediada pela Irmã Geane Araújo da Silva, que atualmente reside em Macajuba, contou com a apresentação da Irmã Cleusa Alves, que falou diretamente de Bom Jesus da Lapa. Segundo ela, as lives fazem parte da ação do Círculo de Sabedoria e vão ao encontro tanto da Campanha da Fraternidade do ano passado, sobre Ecologia Integral, quanto do Ano Jubilar que celebra os 800 anos do Trânsito de São Francisco de Assis.
Durante toda a live, foi possível compreender esses valores universais da espiritualidade franciscana, como o amor à simplicidade, o cuidado com a criação, a minoridade, a confiança em Deus, a fraternidade universal, dentre outros. Como destacou a Irmã Cleusa Alves, “são as ações práticas e diárias de conversão, a exemplo de Francisco de Assis, que fazem toda a diferença na vida das pessoas”.
Mudança
Roberto Malvezzi iniciou a sua participação falando um pouco sobre o período da Quaresma, que, para ele, não pode ser apenas ritos e rituais, mas mudanças profundas de comportamento. É justamente isso que, em sua avaliação, é a conversão ecológica: “a conversão precisa ser diária e é necessário que todos estejam prontos”.
O convidado citou exemplos práticos de que não adianta “tirar o lixo da sua casa e jogar no quintal do vizinho”; que de “nada adianta a prefeitura limpar o lote baldio, se amanhã alguém vai jogar um sofá velho”. A conversão ecológica, segundo ele, deve ser comunitária. ” A Igreja tem grande influência e participação nessa mudança, que precisa ser social e cultural”, cita.
Ele também falou sobre a Campanha da Fraternidade deste ano, com o tema Fraternidade e Moradia. “Meio ambiente é também moradia digna”, ressaltou. Outro assunto que também foi destaque é o quanto tudo tem sido descartado. “Do mesmo jeito que produzimos lixo, que somos uma sociedade de consumo, também se descartam as pessoas, os idosos e as pessoas com deficiência”, citou. Para Roberto Malvezzi, a conversão ecológica parte do princípio de unidade, em que o humano e o ambiental precisam ser cuidados.
Ao final, Irmã Cleusa Alves anunciou que por ocasião do Dia da Terra, celebrado em 22 de abril, acontece a segunda live, em data ainda a definir, em que mais reflexões serão feitas. “São momentos de partilha sobre a importância de se pensar as questões socioambientais e propor ações práticas de combate à destruição ambiental”, pontuou. Para quem deseja assistir a conversa com Roberto Malvezzi completa, basta acessar o Instagram da Congregação.
