Caminhada ecológica une fé, memória e compromisso com a vida

Como parte das celebrações pelos 80 anos de missão, serviço e doação das Irmãs Franciscanas de Allegany, a Caminhada Ecológica realizada no domingo, 19 de abril, reuniu participantes em um momento marcado por espiritualidade, gratidão e compromisso com a vida. A atividade teve início no Parque Ipiranga e percorreu espaços simbólicos da presença e atuação das irmãs na comunidade.

Logo na abertura, um gesto concreto deu o tom da vivência: o plantio da primeira árvore no parque Ipiranga, sinal de cuidado com a criação e de esperança para as futuras gerações, pelas mãos das Irmãs Marinêz Arantes e Maria Helena. Em seguida, um momento de reflexão destacou a identidade das Irmãs Franciscanas de Allegany:”mulheres que, ao longo das décadas, têm sido educadoras, cuidadoras, conselheiras e amigas. Presença firme nos momentos difíceis e sorriso nos dias de alegria, cada uma carrega um jeito único de servir, mas todas partilham da mesma essência franciscana”.

A caminhada seguiu com um gesto de profunda gratidão: os participantes foram convidados a pronunciar, em forma de prece, o nome de uma irmã que marcou suas vidas. A oração também contemplou aquelas que permanecem fiéis à vocação, entregando suas vidas a Deus e ao povo, em testemunho de fé, generosidade e serviço. Inspirados pelo envio de São Francisco de Assis, o grupo renovou o chamado de viver o Evangelho e anunciar a paz.

A primeira parada foi em frente à Santa Casa de Misericórdia de Anápolis, espaço emblemático da atuação das irmãs na área da saúde. Ali, a reflexão sobre a sacralidade da pessoa humana conduziu os participantes a um olhar mais profundo sobre o valor da vida. Referência no cuidado e acolhimento, a instituição carrega a marca do trabalho incansável de tantas religiosas que dedicaram suas vidas ao cuidado dos mais vulneráveis.

Durante esse momento, a Irmã Dayanne Santana conduziu uma reflexão sobre o valor único e inestimável de cada pessoa. “Falar da sacralidade da pessoa humana é reconhecer que toda vida possui uma dignidade que não pode ser medida, comprada ou descartada”, destacou. À luz da espiritualidade franciscana, os participantes foram convidados a olhar o outro como irmão e irmã, cultivando uma presença marcada pela ternura, pelo respeito e pelo cuidado.

A reflexão também reforçou o compromisso com uma prática concreta: cuidar, proteger e promover a vida, especialmente onde ela mais precisa. Um convite a substituir a pressa pela presença, o julgamento pelo amor, e a indiferença pela compaixão.

Ainda na Santa Casa de Misericórdia, a caminhada foi enriquecida pela apresentação dos alunos do Colégio Sagrado Coração de Jesus, de Pires do Rio, local da primeira missão das irmãs. Em um gesto de gratidão e continuidade, os estudantes expressaram, por meio da arte, o desejo de servir com alegria e amor ao som da música ‘Graças te damos’. Também em frente o hospital aconteceu o plantio da segunda árvore pelas mãos da Irmã Aldenir Mota. 

Santuário Ecológico

Ao chegar ao Convento Mãe Admirável, reunidos em frente à gruta, os participantes vivenciaram um momento de interiorização, oração e reconexão com a essência da espiritualidade franciscana, marcada pelo cuidado com a vida e com toda a criação, organizado pelo grupo da Sacralidade da Terra.

A primeira reflexão convidou a todos a contemplar uma verdade central: “tudo está interligado, como se fôssemos um; tudo está interligado nesta Casa Comum”. A partir dessa consciência, a equipe de Sacralidade da Terra conduziu um momento de oração, despertando o olhar para a responsabilidade coletiva no cuidado com o planeta e com os irmãos e irmãs.

Em um instante de silêncio, os participantes foram levados a fazer memória da própria trajetória missionária no chão sagrado de Goiás, Tocantins, Bahia e Pará. Questionamentos profundos ecoaram entre os presentes: “Onde estive? Onde estou? O que construímos? A quem servimos?”. A pausa contemplativa também abriu espaço para recordar pessoas, lideranças, grupos, organizações e movimentos que fazem parte dessa história construída com fé, dedicação e compromisso.

A espiritualidade do encontro foi intensificada com a proclamação do Salmo 96 (95), entoado como um canto de louvor e missão. A oração recordou a beleza de anunciar a paz e a libertação, reconhecendo a grandeza de Deus presente em toda a criação e convidando todas as nações a cantar um canto novo. Em sintonia com a caminhada, o salmo reforçou a alegria de servir e a missão de testemunhar a fé no cotidiano.

Em seguida, a “Oração pela Nossa Terra” trouxe um apelo profundo à consciência e à ação. As palavras invocaram a presença de Deus em toda a criação, pedindo força para cuidar da vida, promover a paz e proteger o mundo da destruição. A prece também destacou o compromisso com os mais pobres e esquecidos, reafirmando que todas as criaturas estão interligadas e possuem valor diante de Deus.

Logo em seguida, os participantes se dirigiram ao Santuário Ecológico, onde vivenciaram de forma concreta a espiritualidade franciscana no cuidado com a criação. Ali, receberam diferentes tipos de sementes, como sinal de compromisso com a vida e convite a cultivar, em seus próprios lares, gestos de esperança e preservação. O terceiro plantio de árvore, pelas mãos da Irmã Bernadete e do Frei Wilmar, marcou esse momento como expressão de continuidade e responsabilidade com a Casa Comum. Como gesto de envio, a caminhada foi encerrada com a certeza de que cada participante retorna à sua realidade como semeador de cuidado, paz e fraternidade, para inserir no cotidiano tudo o que foi vivido ao longo do percurso. 

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