A ministra regional das Irmãs Franciscanas de Allegany, Irmã Marinêz Arantes da Silva, concedeu entrevista à Rádio São Francisco e destacou o significado dos 80 anos de presença da Congregação na região Centro-Oeste. Com 37 anos de vida religiosa, ela define o jubileu como um tempo de celebração, memória e renovação da missão junto à comunidade.
Segundo a religiosa, a trajetória das irmãs começou com forte atuação na educação, inicialmente voltada às crianças, mas que rapidamente se expandiu para a formação de professores e educadores. “A Congregação foi se moldando às necessidades da sociedade, ampliando sua presença em diversas áreas”, explicou.
Irmã Marinêz também ressaltou o papel dos frades franciscanos norte-americanos na chegada das religiosas ao Brasil. “Eles foram visionários ao convidar as irmãs para atuarem nas escolas paroquiais. Já havia uma parceria consolidada nos Estados Unidos, e aqui eles abriram caminhos, desbravaram”, afirmou. Para ela, trata-se de uma missão franciscana marcada por uma profunda dimensão social.
Ao refletir sobre o legado da Congregação, a ministra regional enfatizou que o trabalho se sustenta na prática cotidiana e na fidelidade ao carisma de São Francisco e Santa Clara. “Somos uma semente lançada em um contexto social e eclesial. Resgatamos esse espírito, damos continuidade ao que foi construído e olhamos com esperança para os próximos 80 anos”, disse.
Em um cenário contemporâneo desafiador, marcado por avanços tecnológicos e, ao mesmo tempo, por guerras e intolerância, irmã Marinêz reforçou a necessidade de promover a paz. “Precisamos ser instrumentos de paz. Vivemos em um mundo com muitas facilidades, mas que também enfrenta grandes crises humanas”, pontuou.
Outro desafio destacado por ela é a diminuição das vocações religiosas frente ao aumento das demandas sociais. “Vivemos um tempo em que muitas vezes não conseguimos ouvir o chamado de Deus. É preciso escutar com o coração”, afirmou, ao fazer um apelo especial à juventude para refletir sobre a vocação à vida religiosa.
A ministra também destacou a forte ligação de Anápolis com a espiritualidade franciscana. “Quando cheguei aqui, senti de imediato essa proximidade e carinho. A comunidade anapolina bebe dessa fonte, que é viver o Evangelho de Jesus Cristo”, ressaltou.
Por fim, irmã Marinêz deixou uma mensagem de gratidão. “Celebrar os 80 anos é reconhecer a presença de Deus em nossa história e agradecer a todas as pessoas que caminharam conosco e foram nosso suporte ao longo dessa missão”, concluiu.
