“Objetivo é abrir mais espaço para o coração, para a graça e para a alegria”, diz Frei Michael Reys

No encerramento do retiro “Um jubileu que se cumpre: do Transitus à nova vida”, que reuniu irmãs e associados de diferentes países onde a Congregação das Irmãs Franciscanas de Allegany está presente, Frei Michael Reyes, OFM, conduziu uma profunda reflexão sobre a Ressurreição à luz da espiritualidade franciscana.

Ele partiu do exemplo de São Francisco de Assis em seus últimos dias de vida e destacou que a Ressurreição não significa tornar-se alguém diferente, mas permitir-se ser, cada vez mais, a pessoa que Deus amorosamente nos chama a ser.

Durante sua fala, compartilhou uma experiência marcante vivida com uma Irmã já aposentada. Ao refletir sobre essa nova etapa da vida, ela chegou a uma conclusão que o tocou profundamente: “Deus está me dando permissão para ser quem eu sou, e não o que eu faço.”

Segundo o frei, aquela simples frase tornou-se um verdadeiro retiro espiritual. “Permissão para ser, não para provar, não para justificar, mas simplesmente para ser”, recordou.

A partir dessa experiência, Frei Michael Reyes convidou os participantes a refletirem sobre uma realidade frequentemente presente em nossa sociedade: a tendência de medir o próprio valor pela produtividade, pelas realizações ou pelas funções que exercemos. A Ressurreição, porém, aponta para outro caminho: romper com a ilusão de controlar tudo e reconhecer que “o amor, a confiança, a presença e a alegria possuem mais valor do que qualquer resultado”.

Ele recordou que o santo de Assis não passou seus últimos anos tentando reinventar-se. Pelo contrário, tornou-se mais profundamente ele mesmo: mais livre, mais confiante e mais alegre. “Talvez isso seja Ressurreição”, afirmou.

Frei Michael também refletiu sobre o significado do envio missionário. Muitas vezes, ao ouvir o convite “ide em paz”, imaginamos uma lista de novas tarefas, responsabilidades ou projetos. No entanto, para Francisco, ser enviado não estava relacionado, em primeiro lugar, ao fazer as malas, mas ao estar disponível.

“Jesus não enviou seus discípulos como especialistas, mas como testemunhas”, destacou. O testemunho nasce da experiência vivida e da capacidade de carregar para a vida cotidiana aquilo que foi recebido de Deus.

Ao recordar os temas refletidos ao longo dos cinco dias de retiro, a sacralidade da pessoa humana, a sacralidade da Terra, a bênção, o legado e a Ressurreição, Frei Michael convidou todos a levarem essas luzes para a rotina diária de forma simples, cuidadosa e gentil.

A gentileza, aliás, foi apresentada como uma das marcas mais profundas da espiritualidade franciscana. Em um mundo que frequentemente valoriza a força, a eficiência e as conquistas, Francisco, Clara e o próprio Cristo revelam a força transformadora da ternura.

“Algumas das pessoas mais fortes que conheci foram extraordinariamente gentis”, observou. Referindo-se especialmente às irmãs que, mesmo diante de desafios, perdas e mudanças, continuam a responder com compaixão, generosidade e esperança.

Para Frei Michael, a Ressurreição não nos torna mais duros, mas mais leves; não mais barulhentos, mas mais amorosos. Ela nos envia ao mundo como testemunhas da gentileza e da ternura, valores que tantas vezes são esquecidos.

Por fim, destacou a importância da esperança franciscana. Diferente do simples otimismo, que acredita que tudo acontecerá exatamente como desejamos, a esperança está enraizada na fidelidade de Deus.

“Otimismo diz que tudo dará certo do jeito que eu quero. Esperança diz que Deus permanecerá fiel, não importa o que aconteça.”

Assim, o retiro foi concluído com um convite simples e profundo: confiar no amor de Deus, viver com gentileza e permitir-se ser, cada vez mais, a pessoa que Ele sonhou desde sempre.

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