Nossa presença é o maior dom que temos para dar. A sacralidade da pessoa humana permanece no amor

Durante o segundo dia do retiro ‘Um jubileu que se cumpre: do Transitus à nova vida’, que acontece online e reúne irmãs e associados dos Estados Unidos, Brasil, Jamaica, Bolívia, dentre outras regiões onde a Congregação das Irmãs Franciscanas de Allegany se faz presente, com frei Michael Reyes, OFM, a temática foi a ‘Sacralidade da Pessoa Humana’, um dos Círculos de Sabedoria.

Ao recordar o encontro de Francisco com o leproso, com a simbologia da ‘passagem do medo para a compaixão’, ele citou Santa Clara, que expressou: “Olhe para ele, considere-o, contemple-o”, sendo, em sua opinião, essa a essência da valorização da pessoa humana: ver o sagrado e a dignidade que habita em cada um!

Segundo frei Michael Reyes, a dignidade humana não depende de conquistas, produtividade, títulos, reputação ou mesmo da prática religiosa. Inspirado nas passagens do Evangelho, ele recordou que Jesus apresenta um Deus misericordioso, que acolhe o filho pródigo antes mesmo do pedido de perdão, que deixa noventa e nove ovelhas para buscar uma que se perdeu e que se alegra ao reencontrar aquilo que estava distante.

De acordo com o frade, foi essa compreensão que levou São Francisco a se curvar diante das pessoas, não porque fossem perfeitas, mas porque reconhecia nelas o reflexo da presença de Deus. “A dignidade não aumenta quando somos fortes ou produtivos, nem diminui quando estamos doentes ou fragilizados. Ela está presente desde o nosso nascimento e permanece ao longo de toda a vida”, afirmou.

Frei Michael também destacou que a santidade se manifesta de diversas formas no cotidiano. Ela pode estar no trabalho de quem ensina, cuida, evangeliza ou serve, mas também na escuta, na oração, no acompanhamento e na simples capacidade de estar presente ao lado do outro.

Ao compartilhar experiências pessoais, o frade ressaltou que muitas das pessoas que mais lhe ensinaram não o fizeram por meio de discursos, mas pela presença constante e fiel. Ele citou sua mãe, falecida no ano passado, e contou que o que mais permanece em sua memória é o testemunho silencioso de acolhida, cuidado e oração.

Para ele, essa santidade cotidiana torna-se ainda mais evidente com o passar dos anos, quando as realizações e funções cedem espaço àquilo que permanece essencial: o amor. “O amor não se aposenta”, afirmou ao reforçar que o valor de cada pessoa está enraizado no amor de Deus e não em sua capacidade de produção.

Ao final de sua fala, antes do início da partilha sobre o tema proposto, Frei Michael Reyes deixou uma mensagem aos participantes: “Nossa presença é o maior dom que temos para dar, que é permanecer, estar lá. A sacralidade da pessoa humana permanece no amor.”

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