Espiritualidade Franciscana

CELEBRAÇÃO DE AÇÃO DEGRAÇAS PELOS 35 ANOS DE  SÃO FRANCISCO DE ASSIS - PATRONO DA ECOLOGIA

Acolhida: Boas vindas a todos e todas! (outros comentários)

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Introdução: A Família Francisclariana tem na espiritualidade de Francisco e Clara uma grande motivação para participar plenamente em todos os esforços de enfrentamento da atual crise ambiental. Esta celebração quer nos ajudar a compreender a situação em que estamos imersos. Nossa espiritualidade nos recorda o imperativo moral para enfrentar a crise que ameaça o nosso planeta e todos os seus habitantes. E por todas as criaturas queremos bendizer a Deus!

Canto: Cântico das Criaturas (lido ou cantado – podem-se apresentar os símbolos do cântico…)

L 01 (Mulher)- A tradição Francisclariana sublinha a especial preocupação e responsabilidade com a nossa Mãe Terra e toda a Criação, despertando o desejo de seguir os passos de Francisco e Clara. Não é por acaso que João Paulo II, em 1979, nomeou Francisco patrono do meio ambiente. Francisco não enfrentou os mesmos problemas que enfrentamos, nem o meio ambiente de seu tempo experimentou as mesmas ameaças globais de hoje. Mas sua visão de mundo e sua relação com a natureza nos mostram o caminho a seguir.

Todos: Mostra-nos, Francisco, o caminho a seguir.

xico ecologiaL 02 (Homem)- Celebramos com toda Família Franciscana, os 35 anos, que a Igreja proclamou Francisco COMO patrono da ecologia… Isso, porque São Francisco de Assis, ao contrário da espiritualidade comum do seu tempo, não separava o mundo espiritual do material; certamente não desprezava o mundo material como se fosse sem Deus. Ele via o mundo, Terra e toda a natureza como criação de Deus e espaço da encarnação – a presença de Deus vivo. A referência a tudo que nos cerca como criado acrescenta uma dimensão sagrada para a nossa reflexão sobre o meio ambiente.

Todos: Mostra-nos, Senhor sua presença em todas as criaturas.

L 03- (mulher) Francisco se relacionou com as coisas criadas, vivas ou não, respeitosamente e procurou estar sujeito a elas. Esta atitude era diferente daquela espiritualidade que vê os seres humanos como dominadores da terra. Francisco não viu os seres humanos como superiores ou a parte do resto da natureza. Ele os viu como co-criaturas de Deus, como irmãos e irmãs de todas as criaturas.  No final de sua vida, ele expressou sua espiritualidade de forma única e poética no seu Cântico das Criaturas.

Todos: Louvado seja meu Senhor, por todas as suas criaturas!

L 04 – (homem) O Cântico não louva a Deus pela criação. Francisco não se põe ao lado da natureza para dar graças a Deus por ela. Em vez disso, se pôs como mais um da comunidade das criaturas e como parte dela louva a Deus como a fonte de toda a vida e de toda a criação. O louvor das criaturas a Deus consiste em ser o que são chegar a ser aquilo para o qual foram criadas.

Todos: Por todas as criaturas damos graças ao Senhor! 

L 05 (Jovem) Isso é o que diferencia a espiritualidade de Francisco de umaxico graças preocupação com o meio ambiente que só está interessada no futuro da humanidade. Para Francisco, a proteção do meio ambiente vem de um profundo respeito e da consciência de solidariedade interior com tudo o que Deus criou. Ele era consciente da unidade de todo o cosmos.

L 01 – (criança) São Paulo diz que a comunidade dos cristãos forma o corpo de Cristo, que as alegrias e sofrimentos de cada membro individual contribuem para o bem-estar e / ou sofrimento de todo o corpo.

Aclamação da Palavra: Desça como a chuva…

Leituras: (Escolher uma ou duas) (1COR 12,12-31; Col 1, 18-20 ; Ef 1, 22-23 : 3,19 : 4,13 ).

L 02 (jovem) Para Francisco a mesma verdade se aplica a todo o cosmos. Hoje podemos ver a confirmação da verdade da sua visão através dos relatórios científicos. A destruição de uma parte do mundo está levando ao sofrimento o mundo inteiro.

Todos: perdoa-nos Senhor pelo nosso indiferentismo frente à destruição dos bens da natureza! 

L 01(homem)- O respeito e solidariedade de Francisco às criaturas se manifestam em atitudes interiores e práticas de obediência. Pelo voto de obediência, um religioso ou uma religiosa dá a si mesmo/a completamente a Deus pela mediação de outra pessoa. Francisco amplia este conceito e inclui o da sujeição a todo ser humano e a todos os animais, sejam silvestres ou domésticos.

Todos: Dê-nos Senhor, a capacidade de obedecer às leis do cuidado com todas as criaturas!

L 02 – (mulher) Francisco também valoriza e ama as criaturas, porque elas respondem positivamente à vontade de Deus escrita na própria natureza, uma vez que cumprem fielmente as tarefas que lhes são confiadas. Assim, a relação que os homens e as mulheres têm com cada membro da “comunidade de vida” universal ajuda-os a ser mais “humanos”, no sentido de que as criaturas exigem deles o cumprimento da vocação humana específica que receberam, assim como as criaturas cumprem a sua. A solidariedade é a marca de sua espiritualidade.

Todos: Ajuda-nos Senhor a seremos mais humanos e fiéis ao espírito de solidariedade!

xicooAnimador (a): Reflexão: Por esta razão que Francisco tenta ver a vida a partir da perspectiva das criaturas; compreender suas necessidades vitais. Esta atitude é de uma profunda empatia, que o leva a buscar formas adequadas para defender ou reconstruir o ambiente de acordo com o que cada ser vivo necessita para o seu desenvolvimento. Vemos aqui não apenas uma preocupação pelas criaturas individuais, mas um convite para cuidar do habitat, para proteger a integridade dos ecossistemas, procurando manter assim as relações que assegurem a sobrevivência. Rivalidade, tentativa de abuso e dominação não tem sentido. Os seres humanos e outras criaturas são feitos para cuidar e ajudar uns aos outros, e assim fazer o bem para o qual Deus os criou. Sem as criaturas não poderíamos viver, diz Francisco. Onde não se sente ameaça, não se tem medo. No entanto, vemos que as criaturas obedecem a Francisco porque ele se apresenta desarmado, sem procurar tirar proveito das relações que estabelece com elas. Pelo contrário, procura promover a sua vida e está disposto a pagar com a própria vida a sua promoção e liberação. Isto é o que acontece de diferentes formas, como lobo de Gubbio e os cordeiros das Marcas. Francisco mostra um tipo de relações que promovem reconciliação e levam todos a uma obediência mútua. Estas relações permitem a todos ser o que são e louvar a Deus. A amizade, e até mesmo a ternura, sempre ganham, como no caso do “Irmão Fogo”: ele é usado para cauterizar os olhos de Francisco, e não lhe causa dor.

Canto: Doce é sentir. 

L 01 – Com Santa Clara de Assis vamos bendizer a Deus por todas as criaturasGraças à sua sensibilidade e sua relação de fé com o altíssimo e bom Senhor e com “todas as criaturas”, também Clara oferece perspectiva e estímulo. Caminha pela mesma senda que Francisco. Quem é Clara, senão a plantinha do santo pai Francisco? Esta é a forma como ela mesma se define, e vê Francisco como pai que a planta e cultiva – graças ao qual ela foi capaz de sentir seu meio ambiente cheio de vigor – e como raiz, através do qual ela se nutre. 

Todos: Em tudo daí graças ao Senhor!

L 02 – Para Clara não era problema a comparação com um vegetal. Da mesmaxico dançando forma, Francisco sonhou e se reconheceu como uma galinha e seus frades como pintinhos que o rodeavam. Quando Clara contempla a criação, não a faz com alguém que olha de acima para baixo. Pelo contrário, é um olhar de uma irmã, olhar de estima, simpatia e solidariedade. Supõe uma forma de interação que respeita e promove o outro. Clara convida as suas irmãs a contemplar quem vive ao seu redor. Elas devem ver que estão em relação vital com as árvores, os seres humanos e todas as criaturas. Esta relação é um mútuo dar e receber, e fornece tudo aquilo que é necessário para a existência. Todos participam juntos do dom da vida, permitindo que cada criatura seja autêntica, seja vista e aceita na sua singularidade.

Todos (as): Por tudo daí graças ao Senhor!

L 03 – Portanto, não deveria nem sequer pensar em ter o controle, mas ter uma alegre celebração da vida. Esta atitude garante a integridade de cada ser vivo em seu próprio ritmo sazonal, que é o que caracteriza flores, folhas e frutos, através da passagem dos meses, dos anos. Não deve haver qualquer pressão ou violência contra a natureza em seu ciclo de vida. Precisamos prestar atenção a estes ciclos, ver e ouvir, aprender a sincronizar a nossa respiração e batimentos cardíacos para manter a harmonia da comunidade universal.

Todos (as): Não deve haver qualquer pressão ou violência contra a natureza em seu ciclo de vida!

claraL 04 – Clara fala do louvor como o meio adequado para estabelecer relações corretas com as outras criaturas. É um louvor explícito que se une àquele que existe em cada ser vivente pelo simples fato de existir, de ter recebido o sopro criacional. A beleza e a bondade estão em cada um. E o louvor, “o princípio ecológico da divindade, leva cada um à luz”. Luz que é Jesus, que ilumina, que alimenta, que nos leva a consciência de seu próprio lugar na criação, e agradecida, Clara fica feliz que a árvore seja árvore, que o ser humano seja ser humano, que cada criatura seja aquilo que é! Clara viveu no mosteiro de São Damião por 42 anos, na experiência profunda de relação com o criador.

Todos (as): O princípio ecológico da divindade leva cada um à luz, Luz que é Jesus! 

Canto: Minha luz é Jesus

L 0 5 – Até o final de sua vida Clara lutou pelo “Privilégio da Pobreza”, para não ser obrigada a aceitar bens dos quais a comunidade receberia renda para sua subsistência. Hoje classificaríamos sua relação com a terra como “sustentável”. Em seu Testamento, recomenda que as irmãs não adquiram ou aceitem terra “senão uma parcela, a menor, como uma horta necessária para cultivar verdura.

Todos (as): Louvado seja meu Senhor por nossa “Mãe Terra”!

 L 06 – O Ministro Geral da Família Franciscana lembra em sua carta por ocasião do Espírito de Assis: “A relação entre a humanidade e a natureza, de acordo com o plano de Deus, redescoberta e proclamada por Francisco e por Clara de Assis é uma relação de uso e não de propriedade, de respeito e não de exploração.

Com: (Reflexão) Em 1989, João Paulo II convidou a juventude reunida na Alemanha a dizer sim à vida, a todos os seres vivos e a natureza, ressaltando que tal atitude nos uniria às pessoas de boa vontade no cuidado e proteção do meio ambiente e dos valores naturais. “Temos um destino comum e encontramos em Deus o ponto de chegada e nosso fim último, “um novo céu e uma nova terra”. Quando vivemos de uma forma que respeita todas as criaturas e estamos conscientes da unidade de toda a criação, não podemos ficar indiferentes à pegada ecológica que vamos deixando para trás. O relato bíblico do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes que permitiu alimentar 5.000 pessoas pode nos dar coragem para enfrentar nossa crise atual. Os discípulos viram a multidão de pessoas, como nós vemos a situação ambiental de hoje. Como se pode satisfazer a tantos com tão pouco? O que se pode fazer? Foi por isso que os discípulos queriam despedir a multidão. 

Mas Jesus não lhes permitiu livrarem-se de suas responsabilidades. Perguntou o que tinham disponíveis, e ressaltou que eles eram capazes de fazer. Só então, foi possível o milagre da multiplicação. O mesmo milagre pode ocorrer em resposta a este desafio ecológico. Devemos compreender a situação e começar com o que é possível. Devemos encorajar outros a fazer o mesmo. Isto nos permitirá acelerar o passo para soluções sociais frente à crise. A persistência e a fidelidade a esta tarefa nos levarão ao sucesso.

Com: Concluímos nossa reflexão com a oração da unidade, bendizendo Deus por todas as criaturas, assim como fez Francisco e Clara de Assis.

Pai Nosso (com intenções espontâneas)

Canto: Passarinhos meus irmãos.